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BOB MARLEY

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BOB MARLEY

O icônico rei do reggae certamente viveu e expressou, de forma brilhante, o seu mapa astral, se tornando uma referência aquariana.

Filho de um homem branco, que atuava como capitão do exército inglês, e de uma menina negra de 18 anos, Robert Nesta Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945 em Saint Ann (Jamaica) às 2h30. O pai, que já tinha 50 anos, abandonou a mãe Cedella, ainda grávida, em condições bastante precárias. As dificuldades do início da vida são marcadas pela Lua em queda em Escorpião, na casa 12, a casa 4 (da família de orligem) em Peixes, regida por Netuno em conjunção a Quíron, ambos quadrados a Saturno, e todos retrógrados. Desde a infância, teve que lidar com a pobreza e o abandono, vivendo em condições materiais e afetivas áridas, pautando suas relações com sofrimento e sacrifício. Além da ausência do pai, é muito provável que a relação com a mãe também fosse bastante complexa e que Bob tenha desenvolvido uma estrutura psíquica bastante inconsciente de suas necessidades emocionais, criando uma reação defensiva e controladora, quiçá, até, obsessiva em suas relações.

Quando Bob tinha 10 anos, sua mãe se casou novamente e se mudaram para a capital, indo morar na grande favela de Trenchtown. Além do casal, estava o filho do padrasto, Bunny Wailer, que se tornou não só irmão como, também, um grande amigo para Bob. Uma nova irmã, Claudette, nasceu em 1947. Bob e Bunny, desde crianças, adoravam a música. Escutavam o R&B americano em um pequeno rádio e improvisavam em guitarras de brinquedos. Netuno na casa 10 está oposto a Venus em Aries; assim, é bem possível que a música oferecesse a ele uma fuga frente à dura realidade em que vivia, buscando conforto na criatividade artística de sonhar com um mundo mais harmônico e belo.

Aos 14 anos, parou de estudar e foi trabalhar como soldador, ainda que a ambição musical continuasse. Ele e Bunny aperfeiçoaram seus talentos com Joe Higgs, um cantor local que dava aulas de música na favela. Foi assim que conheceram Peter Tosh, outro jovem jamaicano que queria ser músico. Somente em 1962, Bob conseguiu fazer suas primeiras gravações com músicas autorais, encantando o produtor Leslie Kong. A gravação não rendeu contratos, mas fez com que os três jovens se empolgassem a criar uma banda os “Wailing Wailers”. Nesse período, Saturno estava na casa 2, acionando Marte e Mercúrio. Foi um impulso para que Bob se comprometesse com seu talento artístico enquanto forma de renda, dando solidez à sua capacidade de abrir novos caminhos com a música.

Em 1963, o produtor Coxsone Dodd resolveu gravar o grupo e, em poucas semanas, eles atingiram o topo das paradas musicais jamaicanas. Com o sucesso, o grupo musical foi se consolidando como uma expressão inovadora e original da periferia jamaicana, ainda que sua notoriedade fosse apenas local. Nesse período, Bob se aprofundou na cultura rastafári e suas músicas começaram a expressar isso. A fama internacional veio após uma viagem para a Europa no início dos anos 1970 em que, após muitos desafios, conseguiram um contrato com a Island Records, que já promovia artistas como Jethro Tull e Cat Stevens. O álbum “Catch a Fire” conquistou sucesso rapidamente, se encaixando muito bem no movimento de contracultura, já que músicas fomentavam justiça social, paz, espiritualidade e amor.

Plutão, que rege as grandes transformações, passava pelo Meio do Céu do seu mapa, ponto que indica a vocação profissional e a visibilidade pública, um trânsito que sempre é sentido com um misto de desafio e grandes mudanças que, se bem vividas, podem levar ao empoderamento. Esse ponto está em Virgem conjunto a Júpiter, o qual rege o Ascendente em Sagitário. Sol e Mercúrio estão em Aquário na casa dos valores pessoais. Bob era um buscador espiritual que não tinha medo de se aventurar no mundo e de expressar sua filosofia, tendo uma grande habilidade para registrar seus pensamentos revolucionários e utópicos de um mundo mais fraterno. Importante lembrar que ele ficou conhecido não pela capacidade vocal, mas, acima de tudo, pelas ideias que cantava, promovendo equidade social, igualdade e convocando cada um a se colocar a serviço de um mundo melhor. Bob Marley & The Wailers se tornaram a primeira banda de reggae a ter um contrato com uma gravadora internacional e a fazer turnês mundiais.

É preciso dizer, também, que nunca, na historia mundial, um homem negro com um visual tão diferentão tinha ganhado tanta fama. Em um momento em que o povo negro lutava por direitos sociais em diferentes partes do mundo, as grande referências internacionais como Malcolm X, Martin Luther King e Nelson Mandela, eram de homem brilhantes e combativos, mas que apresentavam uma estética mais discreta. Bob rodou o mundo com seus dreadlocks, suas toucas coloridas e seu assumido consumo de cannabis. Um músico negro, vegetariano e que se abstinha de bebidas alcoólicas, que encarou preconceitos e colocou a cultura rastafari não só como um estilo de vida, mas como uma expressão de fé. Assim, revolucionou a estética estereotipada e conservadora da sociedade da época e os preceitos éticos sobre o uso sacramental das plantas medicinais.

Em outubro de 1974, a música “No Woman No Cry” ficou em primeiro lugar na parada inglesa. Bob já vivia em ótimas condições materiais, tendo uma famosa mansão em um bairro nobre de Kingston, onde os jardins abrigavam jam sessions e torneios de futebol ao final da tarde, reunindo amigos, rastas, músicos famosos e aspirantes, jornalistas estrangeiros, entre outros. A generosidade de Bob era notória, não só acolhia toda a família e amigos com fartos banquetes como era procurado por moradores locais que precisavam de apoio e que formavam filas na frente da sua casa, por mães solo em busca de ajuda para cuidar dos filhos e por jamaicanos querendo dinheiro para iniciar seus negócios. Quíron transitava no Fundo do Céu da sua carta natal: as feridas e os desafios da infância restrita se transformaram em uma postura acolhedora e benevolente que, literalmente, abria a casa de forma amorosa para incluir e encantar quem estivesse por perto. Urano, regente de Aquário, posicionado na casa do cotidiano, indica que Bob não só cantava sobre um mundo mais moderno, mas sua rotina era pautada por valores progressistas e fraternos.

Em 1976, quando Marte, Sol e Netuno faziam uma conjunção sob seu Ascendente, ligados a Plutão, em trânsito, na casa 10, sofreu uma ação criminosa e violenta que atentou contra sua vida. Era um ano eleitoral na Jamaica onde o contexto social era altamente tenso e competitivo entre os dois partidos concorrentes, mobilizando Bob a propor um show gratuito pela paz. Porém, dois dias antes, sua casa foi invadida à noite e um forte tiroteio acertou o casal: Bob (perto do coração) e sua esposa, Rita, na cabeça. E ainda deixou paralítico o empresário da banda – Don Taylor. Os atiradores nunca foram presos e, mesmo recém ferido, Bob saiu do Hospital e subiu ao palco para cantar pela paz jamaicana.

Após o atentado, foi morar em Londres por algum tempo em busca de segurança. Lá, gravou seu oitavo álbum, Exodus, novamente figurando nas primeiras posições inglesas e americanas. O ano de 1978 foi emblemático em sua história. Retornou para a Jamaica e comemorou o fato presenteando a população com a realização do fenomenal “One Love Peace Concert” no Estádio Nacional de Kingston. Com as presenças do primeiro-ministro jamaicano – Michael Manley – e do líder da oposição, Edward Seaga no show, Bob chamou ambos ao palco, pedindo que dessem as mãos e se comprometessem com a paz. Alguns meses depois, a ONU lhe entregou a “Medalha de Paz do Terceiro Mundo”.

No mesmo ano, fez um percorrido pela África, estando em diferentes países, em especial o Quénia e a Etiópia, territórios sagrados para o movimento rastafári. Seguiu em turnê pela Europa, onde lançou o álbum “Survival”, que ajudou a colocar os problemas do continente africano na pauta internacional. Entre as canções, estavam a faixa “Zimbabwe” dedicada aos rebeldes negros da Rodésia, que lutavam pela independencia nacional, e a “Africa Unite”, que clama ao povo africano união frente à sua historia e problemas sociais. O álbum foi censurado pelo regime do Apartheid na África do Sul pelo tom contestador; por outro lado, foi a atração principal na festa de independência do Zimbabwe. Agora, era Saturno que passava pelo MC e o benfeitor Júpiter acionava Plutão em Leão na casa 8. Seus esforços estavam sendo recompensados: Bob se consolidava no mundo não só como músico, mas como uma autoridade diplomática da paz, demonstrando o potencial transformador que a arte tem quando colocada a serviço da sociedade com bondade e consciência.

A vida pessoal foi também bastante aquariana. Quando Bob tinha 21 anos, conheceu e se apaixonou por uma jovem cantora, Rita, e logo se casaram. Ele assumiu a filha dela e, juntos, tiveram três filhos. Porém, manteve vários outros relacionamentos ao longo do tempo, os quais renderam um coletivo de onze filhos biológicos e adoção oficial de duas enteadas. Com Marte em Capricórnio e Vênus em Aries, regendo a casa 5, Bob era sensual e sexualmente insaciável. Ainda que tenha tido momentos de afastamento, Rita foi sua companheira de vida e ajudou a criar a maioria de seus filhos, além de ter sido a cantora líder das “I Threes”, grupo de backing vocals dos “The Wailers”. A casa sete, do casamento e parcerias, abriga Saturno em Câncer. Assim, apesar das aventuras, nunca faltou sentimento e compromisso entre eles, indicando que lealdade era mais relevante do que a fidelidade, permitindo, assim, a sustentação do seu vínculo e amor.

Em 1980, após passar mal em shows de uma turnê mundial, descobriu que estava com câncer e entrou em tratamento com medicinas naturais, seguindo preceitos da filosofia rastafári. Faleceu em 11 de maio de 1981; contudo, a alma e o homem seguiram imortais não só por ter levado o reggae ao mundo, mas por sua postura pacífica, fraterna e altamente humana! Em 1999, Exodus foi eleito o álbum do século pela Time e, em fevereiro de 2001, recebeu, de forma póstuma, um Grammy pelo conjunto da obra.

Sua canção “One Love”, lançada em 1977, foi considerada a canção do milênio pela BBC. Até hoje, suas músicas embalam e inspiram novas gerações. Assim, suas ideias estão vivas e, com carinho, nutrimos a utopia que Bob clamava para que possamos enquanto sociedade realmente pulsar em um só amor, um só coração!

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