Raul Seixas
15 de julho de 2023 2023-08-18 10:28Raul Seixas
O nosso querido Maluco Beleza, Raul Seixas, pai do rock brasileiro, era um canceriano de carteirinha! Ele nasceu em Salvador (Bahia) no dia 28 de junho de 1945, às 9h (1). Neste momento, não apenas o Sol, mas, também, Saturno e Mercúrio mergulhavam no aquático signo de Câncer, trazendo para Raul uma personalidade muito sensível e emotiva e altamente temperamental. O signo de Câncer é regido pela Lua e as pessoas que tem esse signo forte tendem a ter mudanças de humor tão frequentes quanto a rainha da noite. A Lua, que no caso de Raul está posicionada no signo de Aquário, tinha influência direta sob essa tríade de planetas, fazendo com que sua identidade (Sol) e sua mentalidade (Mercúrio) fossem fortemente pautadas pela sua necessidade de se vincular ao mundo e às pessoas de forma fraterna, comunal e inovadora, características bastante evidentes no cantor.
Raul pertencia a uma família de classe média baiana, tendo apenas um irmão quatro anos mais novo – Plínio. As informações sobre sua infância mencionam a dificuldade de se adaptar à escola, tendo sido reprovado na 2.ª série por três anos. As aulas eram muito tediosas e Raul preferia passar seu tempo escutando o novo estilo musical que despontava – o rock and roll. Essa fase inicial da vida e os anos escolares são fortemente mobilizados pelo posicionamento de Mercúrio, que guia os processos de aprendizagem. Raul tinha grande curiosidade, boa memória e capacidade de absorver os conteúdos; porém, para que esses atributos fossem acionados, era necessário estabelecer uma conexão emocional e um sentido de pertencimento, algo que, talvez, não tivesse recebido de seus professores, o que dificultou seus anos escolares. Assim, buscou formar seu próprio clã e, com apenas 14 anos, fundou o “Elvis Rock Club” com o amigo Waldir Serrão, uma espécie de gangue que saia para fazer arruaças na rua como parte do que entendiam que deveria ser o estilo de vida dos roqueiros.
Buscando salvar a alma do menino, sua família o colocou em uma escola interna católica; no entanto, ali, também teve dificuldades. Os relatos de sua biografia contam que um elemento positivo foi o interesse pela leitura que despertou nessa época, começando pela vasta biblioteca do pai. Vênus na Casa IX traz paixão pelo conhecimento e gosto pela possibilidade de se ampliar a consciência com viagens literárias e filosofias. Raul se inspirou nos contos que lia e criava sua próprias estórias, registrando em cadernos e ilustrando com desenhos, os quais vendia ao irmão mais novo. Na companhia de Plínio, possivelmente, se sentia mais acolhido e encorajado a soltar sua vasta imaginação, a qual tinha um certo talento investigativo, já que a Casa da comunicação está guiada por Escorpião na sua carta natal. Entre suas narrativas, tinha personagens como um cientista maluco que viajava para universos criados por ele em busca de respostas sobre a vida. Dizem que, antes de querer ser músico, seu sonho era ser um grande escritor como Jorge Amado!
Contudo, o chamado do rock era maior! Depois de algumas tentativas frustradas, consegue formar a banda “The Panters”, em 1963, com os irmãos Délcio e Thildo Gama. Quando começa a fazer algum sucesso local, muda o nome para “Os Panteras” e amplia a formação do grupo incluindo Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba. De forma talvez até cômica, foi por amor que ele tentou voltar aos estudos por algum tempo. Raul tinha a Casa que orienta os estudos superiores sob a influência de Touro, acolhendo Vênus (o planeta o amor) e Marte (o astro da ação). Apaixonou-se por Edith Wisner em 1967, mas o pai da moça, um pastor protestante, foi totalmente contra o namoro. Para conseguir conquistar o sogro, Raul se mobilizou para completar o segundo grau e entrar na faculdade, sendo que passou em três vestibulares ao mesmo tempo – Direito, Psicologia e Filosofia. Ou seja, nunca lhe faltou inteligência, mas, sim, as motivações certas!
Logo que consegue se casar com Edith, larga a faculdade, reúne a banda e se muda para o Rio de Janeiro, aceitando um convite de Jerry Adriani. O primeiro álbum é gravado em 1968, tendo como título “Raulzito e os Panteras”, pela gravadora EMI-Odeon. O baixo sucesso inviabilizou um novo contrato. O período não é fácil; fora o apoio de Adriani que, às vezes, os chamava para tocar em seus shows como banda de apoio, eles não conseguem prosperar. Raul chega a passar fome, o que inspira a redação da música “Ouro de Tolo” – Eu devia estar alegre e satisfeito por morar em Ipanema depois de ter passado fome por dois anos aqui na Cidade Maravilhosa.
No período, Saturno, que nos traz o aprendizado por meio dos sacrifícios, transitava na Casa das crises pessoais e Plutão andava de mãos dados com Urano na Casa I. Deve ter sido um período em que sua personalidade e caráter foram, literalmente, talhados por experiências difíceis, dolorosas e bruscas mudanças de planos, pedindo que Raul se mantivesse firme com suas aspirações ao mesmo tempo em que desenvolvia a capacidade de se reinventar a fim de atingir seus objetivos. Deve ter-se valido muito do Marte em Touro – ação aterrada, perseverante, paciente e de grande capacidade produtiva – como ele mesmo deixou claro na canção “Aprendi a ficar quieto e começar tudo de novo/ O que eu quero, eu vou conseguir” (Rockixe).
Com o tempo, Raul acaba sendo convidado para ser produtor na gravadora CBS discos. Ali, consegue fazer amplos contatos e algumas de suas letras começam a ser gravadas por outras bandas. Adriani chama Raul para produzir seus discos, incluindo músicas dele em seus álbuns. O mesmo acontece com outras bandas de sucesso na época, fazendo com que o ano de 1970 se tornasse muito próspero para ele como produtor e compositor. Ele passou a ser respeitado no meio artístico. Júpiter, o Grande Benfeitor, passava pela Casa dos recursos, transitando em Virgem, acionando a sua capacidade de organização e de planejamento e dando um impulso no Netuno ali abrigado no signo de Libra (literalmente, um talento para fazer dinheiro com música).
Porém, para se tornar um músico e cantor, Raul enfrentaria ainda muitos percalços. Seguiu atuando como produtor e foi aproveitando oportunidades de mostrar o seu trabalho como artista, em especial nos álbuns que produzia. Foi o caso do álbum Vida e Obra de Johnny McCartney, do artista Leno, em que assinaram letras e composições. O álbum se tornou memorável por ter sido o primeiro LP gravado em oito canais no Brasil. Entretanto, devido à censura da época, não foi lançado. No mesmo ano, 1971, tenta uma parceria com Sérgio Sampaio, Miriam Batucada e Edy Star, nomeando-a “Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10”. Apesar de ter sido lançado, foi fortemente alterado pela censura e não obteve sucesso.
As coisas começam a melhorar em 1972 quando decide participar do lendário “Festival Internacional da Canção”, levando duas de suas composições: “Let Me Sing, Let Me Sing”, apresentada por ele mesmo, e a “Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo”, cantada por Lena Rios & Os Lobos. As duas canções acabam sendo muito bem recebidas pelos críticos e o público, fazendo com que se classificasse para as finais. O êxito ajudou a conquistar um novo contrato de gravação com a Philips, lançando o seu primeiro álbum solo em 1973, o Krig-ha, Bandolo!. Ali estão canções que até hoje fazem sucesso como Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante, Mosca na Sopa e Al Capone. Finalmente, alcançou grande repercussão nacional graças à divulgação da imagem do cantor como ícone popular. A imprensa e os fãs da época foram, aos poucos, percebendo que Raul não era apenas um cantor e compositor, pois sua atuação seja no palco, seja em entrevistas era fortemente cênica.
Com Ascendente em Leão, Raul não tinha medo de se expor. Pelo contrário, subia aos palcos com a coragem de um felino que corre nas savanas e com a ousadia de brincar com as roupas e personagens que variavam de roqueiro bad boy, profeta rebelde, cientista aventureiro ou, ainda, o mago esotérico. Essa versatilidade em assumir múltiplas personas tem a ver com Mercúrio em Câncer que, além de ser muito sensível ao que o público gostaria de ver, se enlaça, de forma carinhosa, com Vênus, regente das artes, e Júpiter, o grande mestre. São configurações que trazem não só sensibilidade artística e carisma como inteligência melódica e harmônica. Raul escrevia com a sabedoria de um filósofo aliada à jocosidade de um trickster. Dois de seus maiores sucessos, Metamorfose Ambulante e Gita, exemplificam muito bem isso:
“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo / Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes / Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo / Sobre o que é o amor / Sobre que eu nem sei quem sou / Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou / Se hoje eu te odeio, amanhã lhe tenho amor” (Metamorfose Ambulante)
“Eu sou a vela que acende / Eu sou a luz que se apaga /Eu sou a beira do abismo / Eu sou o tudo e o nada / Por que você me pergunta? / Perguntas não vão lhe mostrar / Que eu sou feito da terra / Do fogo, da água e do ar” (Gita)
Assim, ainda que não tenha se consolidado na literatura como sonhou quando menino, seu MC no grau 29 de Touro, quase entrando em Gêmeos, reafirma sua vocação como artista e o grande talento de expressão escrita, não sendo ao acaso que sua obra como compositor seja mais ampla do que como cantor. Com Urano na Casa do trabalho, esse talento é efetivamente eletrizado com brilhantismo e originalidade. Era excêntrico, inovador e revolucionário. Apesar de ter se consolidado como pai do rock, seu espírito libertário nunca se restringiu e, quando escutamos atentamente suas músicas, podemos ver que elas perpassam os mais variados estilos musicais – de baião a boleros, de samba a rock. Sem deixar de mencionar algumas das letras melodramáticas que não poderiam faltar à identidade típica canceriana. Vale reparar que muitos de seus álbuns e algumas de suas canções têm títulos muito estranhos, às vezes, difíceis até de pronunciar. Outro elemento uraniano: adora ser diferentão.
Em 1973, conheceu Paulo Coelho, que escrevia na revista A Pomba. Um de seus textos sobre extraterrestres chamou a atenção de Raul. Com uma afinidade quase instantânea, os dois iniciaram uma amizade pessoal e a parceria profissional, levando-os a escrever muitas músicas juntos. Em grande parte, essas canções giravam em torno da Thelema (vontade), uma mistura de filosofia e prática espiritual criada pelo mago ocultista inglês Aleister Crowley (1876-1947) que entendia que, por meio da verdadeira vontade pessoal, era possível encontrar o caminho para a plenitude e felicidade. Thelema foi o foco de alguns livros de Crowley, sendo o mais famoso “O Livro da Lei”. É esse conteúdo que inspira uma série de trabalhos da dupla, sintetizado na emblemática canção “Sociedade Alternativa” .
O grande regente das Sociedades Alternativas é Urano, que nos mobiliza a revolucionar nosso olhar de forma futurística e fraterna, entendendo o mundo como uma grande comunidade. Como já comentamos, o planeta estava enraizado na Casa profissional de Raul, trazendo esses aspectos para seu trabalho e seu cotidiano. A Lua aquariana está na Casa da rotina e faz uma aliança benéfica com Netuno em Libra. Por um lado, esses aspectos fortalecem a sensibilidade artística e a capacidade de encantar o público. Por outro, indicam que o misticismo e a espiritualidade eram elementos de nutrição emocional para Raul, o qual tinha uma sede de se sentir parte de um Universo artístico e democrático, onde cada indivíduo tivesse a liberdade de expressar sua loucura e fantasia. A música já dizia ““Faz o que tu queres, há de ser tudo da Lei”.
O engajamento de Raul e Paulo foi tanto que, para além de composições, criaram, em 1974, uma organização civil registrada em cartório que tinha como objetivos principais a promoção de eventos como peças de teatro, seminários, filmes, entre outros. Não poderia ser diferente: com Júpiter em Virgem, há uma necessidade de que as atividades não só estejam organizadas, mas, também, legalizadas aos mínimos detalhes. E, como bom Canceriano, registrou como sede da organização seu próprio apartamento no Rio de Janeiro.
A ideia não agradou em nada o Departamento de Ordem Política e Social – DOPS, órgão de execução repressora da Ditadura Militar. Raul e Paulo foram presos e torturados sob a suposição de que a Sociedade Alternativa pudesse ser um movimento armado contra o governo. Foram soltos e exilados para os Estados Unidos juntamente com suas famílias. A sua rebeldia aquariana era fomentada pelos sussurros de um Plutão em Leão de Casa XII, onde um sentimento inconsciente de total inconformidade com qualquer tipo de domínio fazia com que o respeito às autoridades fosse quase impossível. Nesse momento, Raul estava com 29 anos, fechando o primeiro ciclo de Saturno e entrando na crise da maioridade que nos ensina que não há atos sem consequências.
O álbum Gita já havia sido gravado alguns meses antes e foi lançado, fazendo tanto sucesso que ambos tiveram permissão para retornar ao país. Gita é, até hoje, o álbum de maior sucesso de sua carreira, tendo vendido mais de 600.000 cópias, rendendo a Raul seu primeiro Disco de Ouro. A canção título, Gita, foi escrita por Raul e Paulo, inspirada nos textos sagrados do hinduísmo, o Bhagavad Gita.
A parceria rendeu outro álbum, o Novo Aeon, lançado em 1975, tendo outro de seus sucessos, a canção “Tente Outra Vez”. Contudo, o álbum já não fez o mesmo sucesso que os anteriores. No ano seguinte, lança seu primeiro e único compacto simples: “Há Dez Mil Anos Atrás”. A canção foi muito bem veiculada nas rádios, levando Raul, por duas vezes, ao Globo de Ouro já que, em poucos meses, atingiu mais de 100 mil cópias. Entretanto, encerrou seu contrato com a gravadora Philips, bem como a parceria com Paulo Coelho. Existem muitas especulações sobre os reais motivos disso, com hipóteses das mais variadas. Essa montanha russa de sucessos e fracassos que permeou sua vida pode ser explicada pela Lua de Casa VI, onde a rotina das pessoas fica sujeita a constantes mudanças, fazendo com que, literalmente, os planos que estavam dando certo tomem novos rumos do dia para a noite. Em especial, esta Lua Aquariana atrai dinamismo e inconstância.
O álbum seguinte, “Raul Rock Seixas”, não fez sucesso e é permeado por situações pouco claras. Há quem diga que o álbum foi feito pelo cunhado de Raul na época, Jay Vaquer, utilizando resto de gravações enquanto Raul fazia uma turnê de shows. Outros defendem que Raul e Jay tinham uma proposta clara de álbum; porém, a gravadora lançou o álbum sem avisá-los com arranjos não aprovados. Algo bem provável quando um trânsito de Netuno retrógrado aciona um Plutão natal de Casa XII: as situações acontecem de forma nebulosa, em segredo, de forma enganosa e traiçoeira. Mas fato é que o álbum não agradou. Em 1977, lança pela gravadora WEA, o álbum O Dia Em Que A Terra Parou, sendo bastante malhado pela crítica, mas agradando o público, em especial com as faixas “Maluco Beleza” e “Sapato 36”.
A vida de roqueiro, com tempos de estrada, pouco cuidados de saúde, muito abuso do álcool, começou a se expressar em 1978 quando Raul tinha 33 anos. Sua saúde deve ter sido sempre muito sensível! Regida pela Lua, que se abriga na Casa das enfermidades e dispondo o Sol, faz com que a regra universal de que os hábitos alimentares e rotina afetam diretamente a saúde e a vitalidade (Sol) seja mais preponderante para Raul. Ele tinha Júpiter, o planeta dos excessos e regente simbólico do pâncreas, na Casa I, domínio do corpo físico. É uma leitura literal dos preceitos astrológicos dizer que ele tinha uma tendência aos exageros, fazendo com que o desregramento na nutrição e o abuso de substâncias nocivas levassem à inflamação do pâncreas. Foi o que aconteceu! Ele perdeu 1/3 do pâncreas em uma cirurgia e teve de passar meses em recuperação em uma fazenda no interior da Bahia. Ainda que tenha se recuperado, o quadro voltava de tempos em tempos, possivelmente conforme seus (não) cuidados de saúde e rotina.
No retorno, lança um novo álbum, “Mata Virgem”, em que volta a ter a colaboração de Paulo Coelho; porém, encerra-se, definitivamente, a parceria já que foi um desastre tanto com a crítica como com o público em geral. Os anos seguintes também são desafiadores. Em 1980, consegue um novo contrato com a CBS para o lançamento do álbum “Abre-te Sésamo” em que duas faixas são censuradas – “Rock das ‘Aranha’” e “Aluga-se”. Seu contrato acabou sendo rescindido. Sem gravadora, sem álbuns, entra em uma depressão severa agravada pelo abuso de drogas. Entre 1972 e 1984, paulatinamente, um conjunto de planetas foi passando (ou talvez atropelando) sua Casa II, dos recursos pessoais e financeiros. O coletivo de peso contava com a atuação de Marte (agressividade e impulsividade), Saturno (desafios e austeridade), Plutão (poder) e Júpiter (imoderação e insolência) todos acionando, gradativamente, seu Netuno natal (idealização e escapismo). Como não recorrer às drogas para poder se anestesiar das dificuldades da vida? Um episódio marcante ocorreu em 1982 quando realizou um show em Caieiras (SP). Estava tão bêbado que o público não o reconheceu e Raul é quase linchado, acreditando-se de que se tratava de um impostor. Nesse período, todos estes planetas estavam juntos na Casa II!
A situação melhora um pouco e, em 1983, uma oportunidade pela Rede Globo traz um convite para a gravação de um programa infantil que obteve relativo sucesso. Era o programa “Plunct, Plact, Zuuum” . A música composta e cantada por Raul, “Carimbador Maluco”, se tornou o maior sucesso desse show e rendeu-lhe um Globo de Ouro. Em parceria com sua companheira da época, Kika Seixas, lança o álbum “Metrô Linha 743” em 1984, o qual foi muito bem recebido pela crítica. Contudo, as vendas não atingiram às expectativas, levando a mais uma rescisão de contrato. Sem conseguir agenciar shows e com a saúde muito debilitada, entra em outra onda depressiva e uma série de internações clínicas para desintoxicação.
Consegue se reerguer em 1987 e lança mais um álbum de sucesso pela EMI – Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! O álbum é aclamado pela crítica e pelo público, se tornando um dos discos mais vendidos do cantor, concedendo a Raul seu terceiro disco de Ouro. Um dos grandes destaques foi para a faixa “Cowboy Fora da Lei“. Porém, não podemos deixar de mencionar a canção “Canceriano sem lar (Clínica Tobias Blues)” possivelmente composta em algum de seus períodos de internação em que Raul, de forma jocosa e, ao mesmo tempo, triste, revela a dor de um canceriano afastado de seus vínculos:
“Estou sentado em minha cama / Tomando meu café pra fumar […] / Trancado dentro de mim mesmo / Eu sou um canceriano sem lar…[…] / É, é, porém, mas, todavia eu sou um canceriano sem lar / Eu tomo café pra mim não chorar / Pergunto à nuvem preta quando o sol vai brilhar? /Estou deitado em minha vida e o soro que me induz a lutar /Estou na clínica Tobias tão longe do aconchego do lar”
Em 1988, lança seu décimo quarto e último álbum, “A Pedra do Gênesis”, que agradou a crítica, mas não o público, fazendo com que as vendas não fossem boas. Em 1989, faz sua última rodada de shows como convidado de Marcelo Nova que estava em turnê pelo Brasil, já apresentando debilidades físicas evidentes. Infelizmente, foi encontrado morto pela sua faxineira na manhã do dia 21 de agosto de 1989, quando tinha apenas 44 anos, devido a uma parada cardíaca somada a uma pancreatite aguda fulminante. No dia, Júpiter fazia uma conjunção com Sol natal e Plutão, em trânsito, se opunha ao Marte natal. Raul foi velado no Palácio das Convenções do Anhembi e, posteriormente, levado para Salvador onde foi sepultado. Ainda que não seja das musicas mais conhecidas, Raul também se preparou para esse momento escrevendo “Canto Para a Minha Morte”:
“Oh morte, tu que és tão forte/ Que matas o gato, o rato e o homem/ Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar/ Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva / E que a erva alimente outro homem como eu/ Porque eu continuarei neste homem /Nos meus filhos, na palavra rude / Que eu disse para alguém que não gostava / E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite”
Alguns dias depois de falecer, foi lançado o álbum que fez juntamente com Marcelo Nova, “A Panela do Diabo”, um grande sucesso de vendas com 150 000 cópias que rendeu um Disco de Ouro póstumo ao cantor. O álbum ajudou a conectar Raul com a geração da época, ajudando a consagrá-lo junto às novas gerações e levando a uma retomada de sua obra artística.
Não podemos deixar de falar da vida afetiva de Raul, que foi bastante ativa e com diferentes parceiras ao longo do tempo. Casou cinco vezes e teve três filhas. Seus relacionamentos eram orientados por uma perspectiva aquariana em que se busca parcerias progressistas, com muita liberdade, sendo comum que a amizade seja um elemento forte . Considerando que Urano, o regente da Casa VII, está em Gêmeos, teria uma tendência a pautar seus casamentos em dinâmicas muito sociais, dialogadas e com boas doses de intelectualidade. Três de suas parcerias foram, também, colegas em composições.
O primeiro amor foi Edith, a norte-americana filha do pastor protestante que o mobilizou a entrar na Universidade para ter a permissão para o casamento. A união ocorreu em 1967 e juntos tiveram uma filha, Simone. Edith acompanhou Raul por seus anos de produtor musical, tendo estado em exílio com ele nos anos de chumbo. Nesse período, Raul se envolveu com outra norte-americana, Glória Vaquer, fazendo com que o casamento com Edith chegasse ao fim em 1974, com ela retornando aos Estados Unidos com a filha de cinco anos.
Em 1975, Raul se casa com Glória e, no ano seguinte, nasce sua segunda filha, Scarlet. Com ela faz algumas composições no auge de sua fase esotérica. Porém, em 1977, o casamento termina da mesma forma que o primeiro, mãe e filha vão embora para os Estados Unidos. Novamente, Raul já estava envolvido com Tânia Menna Barreto, que o acompanhou em um período delicado de saúde em que a pancreatite surgiu. Novamente, o casamento se desfez em poucos anos e, em 1979, Raul já estava com Kika Seixas que conheceu na gravadora WEA. Com ela, teve sua terceira filha em 1981, Vivian. A separação vem quando a menina completa quatro anos em 1985. Um ano depois, conhece Lena Coutinho, com quem fica por três anos, tendo ela contribuído, também, em várias composições.
Portanto, as cinco relações foram bastante complicadas e a relação com as filhas pior ainda. O que, seguramente, era algo dolorido e difícil para um canceriano, sendo, potencialmente, um fator agravante em suas depressões. Cancerianos constroem sua identidade fortemente conectada aos seus vínculos, precisam se sentir parte de uma família, um núcleo em que são nutridos. Assim, a imagem brincalhona do Maluco Beleza pode ter sido uma máscara externa criada para agradar ao público, mas que escondia uma grande dor interna. É importante considerar, ainda, que Saturno, abraçado ao Sol, se encontra em uma posição de exílio, trazendo um sentimento de orfandade e um grande medo de não pertencer.
Com Vênus e Marte unidos em Touro, o que amamos e como nos sentimos atraídos, passa por dinâmicas muito sensuais e carnais. Assim, potencialmente Raul era um bom amante, ainda que um tanto passivo. Ironicamente, são posicionamentos que, via de regra, indicam uma pessoa que busca estabilidade e constância nos relacionamentos. Mas, se analisarmos os relatos, seus relacionamentos todos se encerraram porque ele já estava envolvido com outras pessoas. Portanto, não só o lado aquariano que quer a liberdade de ter muitas relações falava alto como é importante notar que Marte é o ponto focal de uma quadratura T, um aspecto muito tenso que, trocando em miúdos, se torna um catalisador de processos internos. É possível que, quando ele se sentia sendo dominado (Plutão em Leão) ou tendo sua liberdade de se vincular a quem quisesse ameaçada (Lua em Aquário), reagia de forma intempestiva (Marte), deixando que a volúpia e o tesão falassem mais alto.
No que diz respeito à relação com as filhas, fora os anos iniciais, não conviveu com nenhuma delas, tendo se distanciado à medida que rompeu com as mães. Curioso que duas delas tinham mães norte-americanas que levaram as meninas para viver no estrangeiro. No seu mapa astral, o signo de Sagitário, que fala das questões vinculadas a países do exterior, é quem rege a relação com as filhas. É provável que ele fosse um pai bem humorado, brincalhão, incentivador do intelecto e caloroso. Provavelmente, muito exigente também, visto que o regente desta Casa está em Virgem. Mas, talvez, esse jeito paterno de ser se expressou muito mais com a música e o rock brasileiro do que com suas meninas.
Raul nos deixou um patrimônio incrível com suas músicas e composições e o seu maior legado foi o ensinamento de termos coragem de ser livres! Livres para amar, livres para trabalhar com o que gostamos, livres para nos vestir com as fantasias que quisermos, livros para sermos nós mesmos! Viva a Sociedade Alternativa e toca Rauuulllll!
- Consideramos os dados do site astro.com que traz como fonte a certidão de nascimento do cantor, ainda que há mapas que considerem o horário de 8h supostamente registrado em seu obituário.
