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Paulo Freire

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Paulo Freire

E quem diria que um brasileiro revolucionaria a educação no mundo?

É claro que estamos falando do lendário Paulo Freire, um pernambucano cujo legado segue sendo a maior referência internacional no campo da educação.

Decretado por Lei como o Patrono da Educação Brasileira, e com uma obra literária de mais de quarenta livros traduzidos, Freire é a pessoa com maior número de títulos de Doutor Honoris Causa no mundo, recebendo o mérito de mais de quarenta universidades de distintos países. Ele se destacou por ser um exímio professor, um incansável lutador social e pela criação de um método de ensino tão inovador que redirecionou a pedagogia enquanto ciência. Quando olhamos para o céu que marcou seu nascimento, esses elementos são rapidamente identificados por uma tríplice aliança entre Sol, Saturno e Júpiter no signo de Virgem. Paulo se tornou uma autoridade internacional pela criação de um método de ensino que, mais do que identificação de letras, buscava a emancipação social das pessoas.

Paulo Reglus Neves Freire nasceu às 9h da manhã do dia 19 de setembro de 1921 em Recife,Pernambuco, e era filho de Joaquim Temístocles Freire, um capitão da Polícia Militar, e de Dona Tudinha (Edeltrudes), que fazia trabalhos domésticos e cuidava dos quatro filhos. Embora fossem uma família de trabalhadores assalariados, de classe média, passaram muitas dificuldades devido à crise mundial do final da década de 1920, chegando a ter períodos de fome. Anos mais tarde, Freire compartilhou suas lembranças desse período, dizendo em uma entrevista: “Essa experiência, que foi uma experiência de um lado de fome, do outro uma experiência de discriminação, eu via, por exemplo, como os meninos de classe média abastada, por exemplo, discriminavam os meus colegas […] Quer dizer, desde menino que eu quase me arrepiava diante de qualquer manifestação discriminatória. Não importa de que”.

Paulo só conseguiu estudar porque os irmãos ajudaram desde cedo com as despesas da casa. Em 1931, a família se mudou para o município vizinho, Jaboatão dos Guararapes (PE), tendo o pai falecido alguns anos depois, quando Paulo tinha treze anos. A tríplice aliança dos planetas já mencionados alude à marca nata de um professor amplamente dedicado ao trabalho, com uma grande capacidade intelectual e criativa. Aos vinte e dois anos, ingressou na Faculdade de Direito do Recife, trabalhando, de forma paralela, como professor de Língua Portuguesa na escola Oswaldo Cruz. Após se formar, também começou a lecionar Filosofia na Escola de Belas Artes da UFPE. Com uma sede voraz de conhecimento, dedicou-se a ler não só os pensadores marxistas e socialistas, mas, também, estudou com afinco as vertentes filosóficas da fenomenologia-existencial. Esses estudos foram cruciais no desenvolvimento de sua abordagem que mesclava as discussões políticas e históricas do momento em que vivia. Ao mesmo tempo, Freire percebia que a tomada de consciência seria um processo  individual e social (simultâneo).

Urano, que simboliza o arquétipo do revolucionário, repousa em águas piscianas na Casa IV de Freire, indicando que ele sempre foi sonhador e idealista, realmente utópico em sua percepção sobre a capacidade social de sermos inclusivos. É um posicionamento que demonstra que a empatia e o espírito revolucionário estavam fortemente enraizados nas estruturas emocionais de Freire, dando a ele um dom de transformar as experiências de privação que viveu no seio de sua família em ação social voltadas para o bem maior. Incomodado com as desigualdades e conservadorismo do sistema de ensino, liderou, em 1955, a  fundação do Instituto Capibaribe, com o objetivo de construir um espaço de ensino alternativo, sem fins lucrativos, para fazer contraponto à educação. Ficou apenas um ano na direção da instituição, mas seguiu trabalhando nas suas ideias.

Em 1958, apresentou as bases teóricas de seu sistema de alfabetização de adultos no II Congresso Nacional de Educação de Adultos, no Rio de Janeiro, e, no ano seguinte submeteu a proposta na seleção de professor de Filosofia da Educação na Escola de Belas-Artes de Pernambuco. Nesse período, ele vivenciava um trânsito muito significativo de Plutão em sua casa do trabalho, trazendo uma energia potente e transformadora que dinamizava seu Marte natal. O planeta guerreiro coloca as questões profissionais como campo de luta e fortalece os aspectos de liderança já trazidos pelo Sol-Saturno. O posicionamento no signo de Virgem ameniza um potencial temperamento colérico, travando uma batalha mais aterrada, pacienciosa e estratégica. É uma tradução literal pensar que ele enfrentou a luta social com a criação de um método que buscava libertar as pessoas da ignorância que as prendia a contextos socioeconômicos restritos.

Freire passou a integrar o Movimento de Cultura Popular (MCP) que realizava atividades com trabalhadores, impulsionando processos de alfabetização. Em 1963, estava com quarenta e dois anos e vivia, de forma exata, o aspecto astrológico que marca a crise da meia idade – uma oposição Urano-Urano, potencializada pela conjunção de Plutão em trânsito. Por meio de um projeto de extensão da Universidade do Recife, Freire criou um grupo com 300 trabalhadores do corte de cana e os alfabetizou em 45 dias no município de Angicos, no Rio Grande do Norte. O episódio sui generis redirecionou seu trabalho, sua vida pessoal e a maneira como o mundo passou a olhar para os processos de aprendizagem.  O feito não foi só uma realização poderosa e revolucionária na vida pessoal do educador, mas inédito no mundo.

Uma das grandes estratégias de Paulo era iniciar o trabalho com o alfabeto de uma forma diferente daquela encontrada no ensino tradicional. Ele fazia um reconhecimento da realidade dos trabalhadores e buscava uma seleção de palavras comuns em seu vocabulário, tomando esses verbetes como ponto de partida para suas aulas. Freire as chamava de “palavras geradoras” e combinava o ensino da alfabetização com a discussão crítica da situação socioeconômica em que os estudantes estavam envolvidos. Outra inovação era a disposição das cadeiras em círculo, de forma que os estudantes pudessem olhar nos olhos uns dos outros e discutir de forma mais dinâmica, quebrando com a estrutura disciplinar das cadeiras em fileiras e promovendo um processo que era, acima de tudo, coletivo, como Urano gosta. Assim, promovia a alfabetização não apenas como uma demanda prática de vida, mas como um processo de mudança e transformação pessoais. Costuma dizer que “a educação faz sentido porque mulheres e homens aprendem que através da aprendizagem podem fazerem-se e refazerem-se, porque mulheres e homens são capazes de assumirem a responsabilidade sobre si mesmos como seres capazes de conhecerem.”

Um mês após o experimento de Angicos, o município registrou sua primeira greve de trabalhadores que passaram a demandar direitos básicos, levando a elite de latifundiários locais a atribuírem o “problema” a Freire que foi taxado de “praga comunista”. Outra dimensão que se tornava problematizada era o fato de que, na época, o direito a voto em eleições era exclusivo dos alfabetizados. Esses fatos se tornaram fundamentos para a resistência ao trabalho realizado por Freire e estenderam-se às perseguições políticas e às críticas que passou a sofrer ao longo dos anos.

É importante considerar que Freire tinha o Meio do Céu em Leão. Este é um ponto de ápice registrado no mapa, que indica um propósito social, geralmente vinculado à carreira, que, no signo de Leão, simboliza a missão de liderança criativa e altamente autoral, que se expressa com ousadia e determinação. Freire não só se tornou o pai da educação libertária como é a imagem que figura, até hoje, em nosso imaginário, quando pensamos no professor. Ele se doou à sua trajetória como mestre com alegria, bondade e muito carisma, tendo as bênçãos de ninguém menos do Vénus de um lado e Netuno de outro. Assim, ainda que tenha tido desafios ao longo de sua carreira, podemos dizer que sua força e sua capacidade de criação sempre encontraram caminhos abertos para a expressão. Os relatos daqueles que trabalharam com ele são invariavelmente permeados de carinho e gratidão por ter convivido com alguém que sempre foi generoso e sensível em sua forma de ensinar e liderar. E é muito provável que Netuno o tenha trazido o anseio de servir ao próximo com ideais muito elevados e uma grande fé na sua missão como educador. Nesse sentido, é interessante que a esperança, algo muito netuniano, fosse mencionada, pelo educador, não como substantivo, mas, sim, como verbo, pois, para ele, apesar de todas as mazelas vividas, deveríamos “esperançar” os locais por onde passávamos. E assim ele fez em sua jornada.

A eficácia do método de alfabetização proposto por ele no episódio de Angicos chamou a atenção do governo federal. Darcy Ribeiro, então ministro da Educação, encomendou a estruturação de um programa nacional de alfabetização, iniciando com um levantamento do número nacional de analfabetos, o qual chegou a uma cifra inicial de vinte milhões de adultos. O presidente da época, João Goulart, que mobilizava um conjunto de reformas de base no país, aprovou a inclusão do método de Freire na Política Nacional de Alfabetização, prevendo a formação massiva de educadores e visando a rápida criação de vinte mil núcleos no país. No entanto, apenas alguns meses após o plano ser iniciado, ocorreu o Golpe Militar de 1964 que extinguiu todos os            projetos de bem-estar social. Freire foi preso por subversão no dia 16 de junho, passando setenta dias no cárcere. Dos registros do processo que justificavam sua prisão, comandada pelo tenente-coronel Hélio Ibiapina Lima, consta que Freire era “um dos maiores responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos… sua atuação no campo da alfabetização de adultos nada mais é que uma extraordinária tarefa marxista de politização das mesmas”.

Freire propunha uma filosofia altamente transformadora, ainda que não haja registros de que sua personalidade fosse a de um contestador clássico, no sentido de ser alguém altamente extrovertido ou uma persona chamativa, muito pelo contrário. Ele tinha Ascendente em Escorpião, o que traz uma marca um tanto magnética, uma tendência a despertar sentimentos intensos e controversos nas pessoas, que geralmente o amam ou o odeiam. Não era uma pessoa morna, com certeza, mas, seguramente, tinha uma personalidade observadora e, quiçá, um tanto reservada, já que o regente, Plutão, é tonalizado pelas suaves águas cancerianas. Possivelmente, era muito defensivo com sua família e aqueles que considerava seus afetos, tendo uma grande fortaleza emocional em momentos de crise. De um lado mais amplo, Freire colocou seu poder a serviço do povo, buscando com seu trabalho científico e educativo, soltar as amarras sociais que mantinham as pessoas em contextos de ignorância e servidão social. Uma atitude bela e até iluminada para alguns, mas ameaçadora àqueles que queriam manter o status quo. Quando olhamos o céu do momento de sua prisão, vemos que Marte ingressava na Casa VII, atraindo um período de violências perpetradas por outros, somada à coerção e à restrição de seu espírito revolucionário através da conjunção de Saturno em trânsito a Urano natal. O momento também é marcado por uma quadratura Netuno-Netuno, outro divisor de águas que passamos na vida adulta e que, geralmente, indica um período em que acontecimentos colocam em xeque nossos sonhos e nossas aspirações espirituais, podendo se expressar em uma crise dos nossos valores, daquilo que acreditamos e ansiamos. Freire viveu esse processo com o agravamento da dor do exílio.

Sai do Brasil e passa uma pequena estadia na Bolívia; em seguida, vai para o Chile onde trabalhou por cinco anos no Movimento de Reforma Agrária da Democracia Cristã e para a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – a FAO. É no Chile que publica seu primeiro livro, em 1967, Educação Como Prática da Liberdade. O grande benfeitor, Júpiter, também patrono dos mestres e da filosofia, passeava de mãos dadas com Vênus no Meio Céu da sua carta natal, trazendo novos ventos para seu trabalho. E Plutão, que tanto o desafiou, se despedia de sua casa do trabalho rumo à dinamização dos seus projetos sociais. O livro se espalhou rapidamente, disseminando a abordagem de Freire pelo mundo e lhe rendendo um convite para atuar como professor visitante da Universidade Harvard em 1969.

No ano seguinte, 1970, é lançado seu segundo livro, Pedagogia do Oprimido, sendo traduzido em vários idiomas, inclusive hebraico. O livro propõe uma revisão da relação entre educadores e educandos, colocando o estudante como sujeito do processo de aprendizado e abrindo um forte questionamento ao que ele chamava de educação bancária, em que o conhecimento era padronizado e “depositado” nas pessoas, à revelia de sua realidade social e pessoal. Em um dos trechos do livro menciona: “Nenhuma pedagogia que seja verdadeiramente libertadora pode permanecer distante dos oprimidos, tratando-os como infelizes e apresentando-os aos seus modelos de emulação entre os opressores. Os oprimidos devem ser o seu próprio exemplo na luta pela sua redenção… Da mesma forma, os opressores devem estar dispostos a repensarem seu modo de vida e a examinarem seu próprio papel na opressão se a verdadeira libertação ocorrer: aqueles que autenticamente se comprometem com o povo devem reexaminar-se constantemente” (Freire, 1970, p. 60).

No Brasil, a obra só chega em 1974, quando se inicia o processo de “abertura política” na gestão presidencial do Gen. Geisel. Freire estava vivendo em Genebra e atuando como consultor educacional do Conselho Mundial de Igrejas, fazendo ações de reforma educacional. Netuno, que rege a espiritualidade e as causas maiores, passava por seu Ascendente. Um aspecto que pode ser vivenciado de forma mundana como um período de confusão, mas que, no caso de Freire, pode ser mais associado ao cumprimento de um chamado espiritual que foi vivido além-mares. Ele esteve atuando em diversos países da África, em especial Guiné-Bissau e em Moçambique, e percorreu mais de trinta países em alguns anos, desenvolvendo projetos de educação voltados para a alfabetização e para a redução das desigualdades.

Ainda que as condições que o levaram a rodar o mundo não tenham sido amistosas, a Lua em Áries de Freire tem uma grande sede de desafios e de experimentar coisas novas como uma fonte de estabilidade emocional. Com o dispositor sendo temperado por um signo de Terra e enraizado no trabalho, pode indicar que esse fogo emocional queimava de forma mais branda, com uma energia direcionada, em boa medida, à carreira, criando novos projetos. Isso se fortalece com a ligação potente da Lua com Mercúrio, o planeta do pensamento, na casa dos projetos sociais. Assim, é provável que Freire tivesse uma tendência a racionalizar suas emoções e, em grande medida, dar vazão à intensidade e agilidade emocional por meio de sua luta social.

Com a Anistia, retorna para o Brasil em 1980, indo viver em São Paulo. Passou a trabalhar no programa de Alfabetização do recém-criado Partido dos Trabalhadores – PT.  Em 1986, sua esposa, Elza, que tinha lhe acompanhado a cada passo até aqui, morreu após quarenta e dois anos de parceria. Seguramente um golpe! Contudo, dois anos depois, se casa com uma amiga de longa data, Nita, também educadora  pernambucana, que conhecia Freire desde a infância. Ele tinha a casa dos relacionamentos com a cúspide em Touro, indicando sua facilidade para compromissos estáveis e duradouros. A regência aqui é dada por Vênus, planeta que direciona nossos afetos de forma geral, estando posicionada em Leão na casa do trabalho. Isso ilustra o fato de suas duas esposas serem educadoras e parceiras de vida, ambas trabalharam junto a ele, auxiliando a disseminar seu trabalho e ideias e, em seus relatos, descrevem um homem com características solares e leoninas. Nita, ao comentar suas viagens ao nordeste, menciona um lado lúdico e quase hedonístico de Freire, diz ela: “A alegria dele era ir à praia sob o sol quente, tomar banho em um mar morno e comer tapioca, macaxeira, cuscuz com manteiga, sarapatel e buchada. Ele era louco por isso.” Contava, ainda, que poucas vezes o viu zangado em todos os anos de convivência e que sua maior característica era o encanto pela vida.”

Também é mencionado pelos filhos como um bom pai, tendo, aqui, uma boa influência do aspecto natal da Lua que, na Casa V, indica uma atitude bastante ativa e maternal com os filhos ainda que permeada por uma vida agitada. Ao dividir algumas lembranças do pai em uma entrevista, o filho caçula do educador, Lutgardes Costa Freire, sociólogo do Instituto Paulo Freire, menciona que “a convivência familiar era bastante harmoniosa. Eu via meu pai trabalhando muito, minha mãe também trabalhava, era diretora de escola, e eles eram muito amorosos com a gente. Sempre respeitando muito cada um dos filhos e, é claro, educando cada um do seu jeito. Ele viajava muito e sentíamos muita falta dele, mas quando ele retornava, era uma festa.”

Quando Luiza Erundina foi eleita para a Prefeitura da capital Paulista, em 1988, chama Freire para ser seu Secretário de Educação, cargo que exerceu de 1989 a 1991. Até hoje, a gestão de Erundina e Freire é vista como referência. Ao final do mandato, a rede municipal tinha cento e vinte mil alunos a mais e centenas de conselhos de escola, com caráter deliberativo, em funcionamento. Durante esse período, criou o Movimento de Alfabetização de Jovens e Adultos, MOVA, programa ativo até hoje, sendo utilizado como referência em inúmeras localidades.

Em 1991, é fundado, em São Paulo, o Instituto Paulo Freire, organização que permanece ativa, promovendo e resguardando o trabalho do educador. Ele faleceu devido a um ataque cardíaco, em 2 de maio de 1997, às 6h53, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, com 76 anos, devido a complicações em uma operação de desobstrução de artérias. Nita assumiu o trabalho no Instituto Paulo Freire, tarefa também levada ao longo dos anos pelos filhos.

Em todo o mundo, cerca de trezentas e cinquenta escolas e instituições, como bibliotecas e universidades, levam o seu nome como forma de homenageá-lo. Freire transformou a vida de cada pessoa que auxiliou a ler, seja direta ou indiretamente, e brilhou muito, ainda em vida, nos ensinando sobre o mundo e nós mesmos Que nossa maior homenagem a ele seja nossa persistência em, apesar de tudo, nunca desistir de “esperançar”.

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