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FREUD

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Sigmund Freud “sacudiu o mundo” com seu trabalho, provocando-nos enquanto sociedade, oferecendo-nos uma maneira totalmente nova de vermos a nós mesmos e os problemas que afligem a alma humana. Ele tinha um Sol abraçado a Urano em Touro na casa VII, indicando que era um indivíduo criativo e  contestador e com um grande potencial de colocar luz, de forma inovadora, ao que aflige o outro. E foi isso que ele fez! Não só inaugurou uma nova disciplina – a psicanálise, como propôs um método autoral para que pudéssemos compreender como funciona a mente humana, como se desenvolvem os problemas psíquicos e de que forma podemos buscar a cura através da autorreflexão e da fala. 

Nascido às 18h30, do dia 06/05/1856, na cidade de Freiberg, então Império Austríaco (atualmente Příbor na República Tcheca), Freud pertencia a uma grande família de judeus chasídicos. Há poucas informações sobre sua infância e adolescência; seus diários foram destruídos em diferentes ocasiões por ele mesmo e as poucas informações registradas são de acesso restrito. Algo nada surpreendente para alguém que tem um Ascendente em Escorpião; esses indivíduos têm a tendência de se colocarem no mundo de forma mais reservada e defensiva, mantendo um bom mistério sobre si mesmos. 

Em sua carta natal, Plutão, o planeta que rege nosso interesse pelas investigações e também pela sexualidade, também está localizado em Touro, porém na casa do serviço e da rotina. Não sabemos, ao certo, quanto tempo ele demorou realizando esse trabalho, mas, com certeza, foi uma tarefa que exigiu uma incrível paciência e determinação, atributos taurinos. 

Em 1984, Júpiter, conhecido como grande benfeitor, atravessou, simbolicamente, a casa da carreira, ajudando-o a se apropriar de seus talentos e a expandir seus horizontes. Ele alcançou uma promoção e, logo em seguida, foi para a França com uma bolsa de seis meses para estudar a histeria junto ao então renomado psiquiatra Jean-Martin Charcot, que estava fazendo tratamentos inovadores com hipnose. Ao longo desses anos, Netuno, o planeta regente dos temas vinculados às questões subjetivas e à alma, passava por sua casa VII, acionando Sol e Urano natais. Foi uma espécie de chamado para que Freud redirecionasse seu foco de trabalho e interesse dos temas do corpo físico para as aflições da alma. Empolgado com a nova técnica, retorna à Viena e começa a realizar atendimento a pacientes, em especial mulheres. Vênus, o planeta que rege o feminino e, tradicionalmente vinculado a mulheres, se localizava na casa do serviço, conjunto à Cabeça do Dragão, um ponto que interpretamos como um marcador importante que norteia a trajetória de nossas vidas como uma potencial missão que temos a cumprir. 

Nesse sentido, podemos entender que o trabalho de Freud teve um papel especial a cumprir com as mulheres. Ainda que fosse um homem de seu tempo e expressasse visões conservadoras sobre o papel social das mulheres, elas foram suas principais pacientes e ele foi um dos primeiros profissionais médicos a se interessar pelas histórias de vida de quem sofria com histeria. Percebeu a aflição como real e não como mero fingimento, que era o julgamento de muitos profissionais da época. Para Freud, a histeria e os sintomas expressados eram fruto da rígida repressão moral que as mulheres sofriam, fazendo com que os sentimentos e desejos ficassem estancados ao ponto de se tornarem doenças. Dizem que foi a interação com uma de suas pacientes mais notórias, Anna O., que recusava a hipnose, que levou o médico a iniciar os trabalhos de ‘cura pela palavra’. 

É verdade que algumas de suas proposições acerca das mulheres foram fortemente criticadas pelo movimento feminista e refutadas por psicanalistas contemporâneos; porém, é inegável o mérito do seu trabalho, pioneiro e revolucionário, sobre a psique humana, o qual contribuiu, fortemente, com o fim de tratamentos invasivos e violentos para a histeria e outras aflições. Foi esse trabalho com as mulheres que compôs a principal base de seus primeiros artigos sobre psicanálise, onde trazia apontamentos dos tratamentos que realizava: encontros em que a paciente compartilhava associações e comentários sobre os seus sintomas. 

Ele foi percebendo que, depois que as pacientes falavam sobre suas questões, os sintomas “desapareciam” após alguns encontros. Passou a focar nessa perspectiva, dando especial atenção às memórias ocultas e acreditando que questões relacionadas à sexualidade tinham forte impacto no processo. É a partir desse trabalho que começa a propor a existência de uma dimensão da mente, de difícil acesso, em que lembranças e sentimentos profundos eram armazenados. Tal conexão é altamente relevante para nossa percepção e ação no mundo. Ele chamou essa dimensão de inconsciente. 

Interessante notar que Vênus em Áries na casa VI é quem rege a casa XII do seu mapa (Libra na cúspide), associada ao inconsciente do indivíduo. Em alguma medida, poderíamos supor que, ao se colocar a serviço dessas mulheres e ter acesso a essa dimensão oculta de suas pacientes, Freud também era  instigado a mergulhar nas próprias profundezas de si mesmo. O aspecto é, em alguma medida, fortalecido pelo Sol de casa VII, pois indica uma individualidade que se constrói a partir da relação com o outro. Não é à toa que o termo “autoanálise” tenha sido proposto por ele. 

Vênus faz uma aliança positiva com Saturno em sua carta, abrigada na casa das crises pessoais e dos processos psicológicos. Talvez esse posicionamento tenha auxiliado seu trabalho, trazendo-lhe um interesse especial pelas estruturas que dão base às questões da consciência e que auxiliam as pessoas a passarem por suas próprias transformações pessoais. Ainda que, em uma perspectiva mais individual, possa indicar uma grande dificuldade de lidar com as mudanças e perdas na vida, acentuando a necessidade de controlar os relacionamentos. Em especial, porque, neste caso, Saturno é a ponta de vazão de uma configuração tensa que envolve Marte e Júpiter, chamada, na astrologia, de quadratura T. O conceito criado por ele de “mecanismos de defesa” se aplica muito bem a esse posicionamento, sendo muito possível que o excesso de seriedade e de responsabilidade tenha sido uma estratégia para lidar com questões que lhe afligiam, em especial relacionados a filhos, aos seus projetos pessoais e aos coletivos dos quais participava.  

É provável, ainda, que lidar com a própria sexualidade e a morte tenham sido grandes desafios na sua vida pessoal. A casa VIII, igualmente, acolhe Lua em Gêmeos, um astro que fala sobre nossas reações e necessidades emocionais. Portanto, é possível que sua sede de conhecimento e, até mesmo, de dialogar com as pessoas fosse não só um dom profissional, mas, antes de tudo, uma estratégia pessoal de Freud para lidar com seus próprios processos psicológicos. Esta posição lhe traz uma habilidade especial em acolher as questões dos outros, uma espécie de perícia empática de escuta, aliada a uma grande capacidade de introspecção e reflexão geminianas. 

Em 1896, viveu um momento desafiante com o falecimento do pai. Não por acaso, Plutão, o Deus da Morte, passava por essa casa (a VIII – das crises pessoais) e acionava os aspectos natais. Os registros indicam que foi nesse período que Freud começou a anotar e analisar seus próprios sonhos, criando a base do que se tornaria um de seus mais aclamados livros  “A Interpretação dos Sonhos”. Também passa a revisitar memórias de infância, levando-o a tomar consciência de processos pessoais, em especial em relação a seus pais. Este período lhe ajudou a desenvolver a famosa perspectiva interpretativa  “complexo de Édipo” para se referir ao fenômeno psíquico associado a sentimentos que os meninos experienciam em relação à mãe, havendo um equivalente no caso das meninas. Essas interpretações formam a base de seus estudos sobre a neurose.  

Em 1901, seu segundo livro é lançado, “A psicopatologia da vida cotidiana”, e diferentes médicos começam a se interessar por seu trabalho, formando o chamado “Movimento Psicanalítico” – um coletivo composto por profissionais que trocavam saberes e perspectivas e que se tornam referência na área nos anos seguintes: Eugen Bleuler, Carl Jung, Karl Abraham, Ernest Jones, Sandor Ferenczi. 

Freud nasceu com Marte, o planeta que nos traz coragem e nos instiga a liderar de forma pioneira, na casa dos coletivos, regendo sua casa do serviço e corregendo seu Ascendente. A mobilização de um grupo maior de pessoas com o qual podia trocar ideias (e aos qual liderou em novas descobertas) foi essencial para que seu trabalho passasse a ser aceito de forma mais ampla pela sociedade. Claro, Marte também pode ser muito colérico e autoritário, em especial quando está retrógrado e vinculado de forma tensa a Júpiter, o que traz uma dose de arrogância. Ao longo dos anos, alguns de seus pupilos e colaboradores acabaram tendo desentendimentos com ele, sendo Jung um dos casos mais notórios. 

Ainda assim, suas ideias realmente mudaram a maneira como nos percebemos como indivíduos, demonstrando não só que a trajetória pessoal e familiar, as emoções e as crenças influenciam fortemente nossa vida, mas que a tomada de consciência dos próprios processos é o melhor caminho para a cura de nós mesmos. Freud publicou mais outros 13 livros e inúmeros textos, trazendo uma obra densa e complexa, impossível de ser comentada em poucas linhas. Vale observar que Mercúrio e Urano em Touro fazem  alianças fluentes tanto com Marte como com Júpiter, trazendo a ele uma grande capacidade de escrita e oralidade, com a inteligência e criatividade para propor, de forma ousada, perspectivas teóricas pioneiras e inovadoras. 

Seu trabalho ajudou a tirar o tratamento psiquiátrico de uma era obscurantista de crendices, comprovando que muitos transtornos do comportamento humano eram de origem psicológica e não questões biológicas, de cunho moral ou espiritual como se entendia até então. Além disso, a abordagem pela fala e livre associação inaugurou uma perspectiva de tratamento muito mais humana e acolhedora, que permite que os indivíduos não só protagonizem seu processo de entendimento pessoal como coloca a expressão de sentimentos e desejos como essenciais para a cura. 

Não podemos deixar de mencionar que, no mapa natal de Freud, a área que associamos à comunicação e o pensamento (casa III) é ocupada pelo asteróide Quíron, a indicação de  uma ferida com a qual precisamos lidar, um ponto no qual podemos nos tornar muito sensíveis e aptos a auxiliar os outros, desenvolvendo uma espécie de maestria. Ao se abrir a novos conhecimentos, questionando o humano e aprendendo a se socializar, Freud foi trabalhando suas feridas e ajudando a todos a encontrarem as suas curas pela fala. 

Na vida pessoal, foi casado com Martha Bernays, uma amiga próxima de sua irmã, que conheceu em 1881 e com quem casou em 14 de setembro de 1886. Foi um casamento bastante estável, duradouro e fértil como gostam os taurinos. Juntos, tiveram seis filhos, dos quais uma faleceu ainda jovem. Um número grande de filhos é algo bem típico de quem tem um Júpiter na casa V. Além de generoso e brincalhão, é provável que tenha sido muito compassivo e amoroso com os filhos, já que a cúspide da casa se colocava no signo de Peixes. 

De certa forma, isso é corroborado por seu filho Martin Freud, que escreveu um livro intitulado “Freud: Homem e Pai”. Martin diz que, apesar de ser muito dedicado ao trabalho, seu pai adorava passar tempo com os filhos e que guardava, com carinho, muitas memórias das férias que passavam juntos. Outra de suas filhas, Anna, seguiu os passos profissionais do pai e se tornou uma importante psicanalista dedicada ao tratamento de crianças e ao desenvolvimento psicológico. 

O período nazista foi bastante impactante à família como era de se esperar. Em 1933, alguns dos seus livros foram queimados pelos nazistas na Alemanha, pois, além de ser judeu, suas ideias eram altamente subversivas para o regime autoritário. Quatro das cinco irmãs de Freud morreram em campos de concentração. Freud conseguiu sair do país em 1938 se refugiando na Inglaterra com a ajuda da amiga e psicanalista Maria Bonaparte. 

Ele era um fumante inveterado; há relatos que indicam que chegava a fumar 20 charutos por dia e, mesmo após o diagnóstico de câncer no palato, seguiu fumando. Talvez, em parte, pela teimosia taurina, mas, também, os vícios sempre tem uma influência do posicionamento de Netuno que, no caso de Freud, estava domiciliado em Peixes na casa IV. Pode ser que o vício tenha sido uma estratégia para lidar com questões vividas ainda durante a infância, que deixaram marcas profundas ao longo da existência, fazendo com que se sentisse vítima de certas situações. Após passar por mais de 20 cirurgias para tratar o câncer,  faleceu aos 83 anos com uma dose excessiva de morfina. Passados 167 anos de seu nascimento, seu legado é imensurável se pensarmos na quantidade de pessoas que auxiliou e segue ajudando com suas ideias e propostas de tratamento. Fica nosso carinho e reconhecimento!

Texto de Potira Preiss, aprendiz Casa V. (@potipreiss)

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