Bob Dylan
5 de junho de 2023 2023-06-05 9:07Bob Dylan
Recentemente, Bob Dylan comemorou seus 82 anos! O presente somos nós que recebemos ao compartilhar o mundo com ele! Ou seriam “eles”? Músico, cantor, poeta, profeta, andarilho… são tantas as personalidades que ele encarnou ao longo dos anos, que fica difícil vê-lo como uma única pessoa! Mas, se recorrermos ao divino, reconhecemos facilmente Dylan nos atributos de Mercúrio, o mensageiro dos Deuses! Curioso, inquieto e altamente versátil, Dylan expressa fortemente seu lado geminiano. Ele nasceu não só com o Sol neste signo, mas, também, com Mercúrio, o planeta regente, e ainda Vênus, multiplicando por três a dose.
A ambiguidade é uma marca pessoal e profissional do artista, que domina, de forma magistral, o mundo da mente e da expressão, seja escrita ou falada. Ele é tão conhecido como músico quanto como compositor, passando por diversos estilos musicais, trazendo a dualidade e a versatilidade como marcas. Não por acaso, muitos planetas de seu mapa natal aparecem conjuntos: nasceram abraçados como irmãos gêmeos, fazendo com que essas energias sejam expressas sempre de forma dupla e potencializada. Em uma entrevista, quando questionado sobre como definia sua música, respondeu “é um som selvagem de Mercúrio. Sua música ‘Tweedledum and Tweedledee’ recebeu o nome dos famosos gêmeos de Alice Através do Espelho, de Lewis Carroll. Na canção ‘Where Are You Tonight’, ele diz ‘eu lutei com meu irmão gêmeo, aquele inimigo interno, até que nós dois caímos no caminho’. Assim, a identidade mercurial e geminiana é fortemente presente em seu comportamento e em seu trabalho, que domina o lirismo como poucos, adorando jogar com as palavras.
Nasceu na cidade de Duluth, no Minnesota, às 21h05min do dia 24 de maio de 1941 (conforme certidão de nascimento, registrado no site astro.com), como Robert Allen Zimmerman. Tendo ascendência judia russa, seus antepassados migraram para os Estados Unidos em uma das ondas antissemitas que ocorreram na Ucrânia em 1905. Seus pais eram membros de uma pequena comunidade judaica no interior do centro-oeste norte-americano. A mitologia conta que Mercúrio inventou a harpa (instrumento musical) com apenas algumas horas de vida. Com Dylan não foi muito diferente: a paixão pela música começou na infância, escutando diferentes estações de rádio que basicamente tocavam música country e o novo estilo que despontava, o rock and roll. Na escola, formou várias bandas que duraram pouco tempo. Geminianos são como borboletas, rápidos e leves, pulam de uma experiência a outra com a mesma rapidez com que sua curiosidade surge, sendo a permanência sempre um desafio.
Quando tinha 18 anos, foi para Minneapolis estudar na universidade estadual. Porém, em pouco tempo, começou a tocar em uma cafeteria próxima ao campus, o que lhe ajudou a se aproximar do folk que, para ele, era um estilo de música que retratava a vida de uma forma mais crua e realista, algo que não encontrava no rock’n’roll da época que se destacava mais pelo ritmo e os bordões. Dylan tem também um conjunto grande de planetas no signo de Touro, signo fixo de Terra, que nos fala de sobrevivência, fazendo com que ele tenha uma perspectiva bastante realista e pragmática da vida. Entre estes planetas, estão a Lua e Saturno de forma aliada, trazendo uma expressão emocional bastante séria e reservada, não só um grande senso de responsabilidade, mas um entendimento muito realista de quem não está no mundo a passeio.
Assim, mais um ponto de dualidade se soma na personalidade de Dylan, pois, ainda que não seja exatamente contraditório, é um posicionamento mais interno, provavelmente visível por aqueles com os quais convive, que difere bastante da leveza geminiana que brilha facilmente para o público. Pode indicar, também, um relacionamento difícil com a mãe e uma infância permeada de disciplina, preocupação, com uma rigidez difícil de ser assimilada. A Lua fala sobre nossa sede emocional e necessidade de segurança e, ainda que Touro seja um excelente posicionamento para este astro, a presença natal junto a Saturno pode indicar uma dificuldade em estabelecer vínculos, um grande medo de rejeição e um vazio emocional que parece nunca ser preenchido. É bem possível que o excesso de trabalho tenha sido usado como uma forma de escape para lidar com essas dificuldades, mas, com o tempo e o amadurecimento, o aspecto pode se tornar mais consciente e trazer solidez. Nesse sentido, os ciclos de Saturno se tornam particularmente emblemáticos ao artista.
Com a maioridade, ele passou a se apresentar como Bob Dylan e, em menos de um ano, já tinha largado a faculdade para se dedicar exclusivamente à música. Em 1960, se mudou para Nova Iorque para conhecer seu ídolo, Woody Guthrie, que estava hospitalizado devido a um estágio avançado de mal de Hutington. Guthrie, uma referência do folk, era uma grande influência musical para Dylan, que se tornou um amigo próximo acompanhando seus últimos anos de vida. Lentamente, foi ganhando reputação na cidade à medida que tocava em diferentes clubes do famoso bairro Greenwich Village. Esse lado andarilho é bem característico de quem tem ascendente em Sagitário, fazendo com que sua atuação tenha esse tom meio cigano, um peregrino que, ao buscar sentido no mundo, vai encontrando a si mesmo. É uma característica complementar ao lado geminiano, fortalecendo seu caráter mutável, porém aportando uma forma mais ideológica de viver e uma habilidade instintiva de farejar seu caminho, sem muito receio de mudar de rota.
Ao participar do terceiro álbum de Carolyn Hester, chamou a atenção do produtor John H. Hammond e conseguiu seu primeiro contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum teve seu próprio nome como título, sendo lançado em 1962 com uma coletânea de músicas que variam entre o folk, o blues e o gospel. Infelizmente, não teve sucesso e seu contrato foi quase cancelado, sendo mantido pela defesa de Johnny Cash, que recentemente havia assinado com a gravadora. Ao longo do ano, Dylan mudou oficialmente seu nome e passou a ser representado pelo produtor musical Albert Grossman. O segundo álbum veio em 1963, após uma rápida turnê no Reino Unido, tendo “Blowin’ in the Wind” entre os temas, uma das canções que se tornou icônica em sua carreira. O álbum que se chama “The Freewheelin’ Bob Dylan”, foi considerado mais político, tendo várias canções de protesto e uma forte influência do trabalho de Guthrie. A capa do álbum trazia uma foto de Dylan e sua namorada na época, a artista Suze Rotolo, sendo ela a inspiração para as canções românticas.
Outros álbuns vieram na sequência, ficando fortemente associados como as trilhas clássicas do movimento de contracultura americana, já que falavam sobre direitos humanos, igualdade racial, amor livre bem como a Guerra do Vietnã. Um momento emblemático foi sua performance ao lado de Joan Baez na famosa Marcha sobre Washington por Trabalho e Liberdade em 28 de agosto de 1963. Essa foi uma das mais notórias manifestações políticas dos Estados Unidos, liderada por Martin Luther King, contanto com um público de 250 mil ativistas em prol do fim da segregação racial no país. O ascendente em Sagitário é regido por Júpiter em Touro, que vem abraçado com Urano (ainda em Touro) e o Sol (Gêmeos na casa 6). Ou seja, sua identidade pessoal traz incorporada essa energia visionária de uma sociedade mais fraterna e revolucionária, em que a diferença é vista como diversidade e beleza. Com um pé na expressão pessoal e outro no serviço, esse trio acaba fortalecendo o lado genial, altamente inteligente e criativo do artista, fazendo com que as fronteiras entre quem ele é e o que ele faz sejam borradas. Independente e irreverente, sempre rejeitou o título de “a voz de sua geração”, assim como questionou todos os demais rótulos que tentaram fixar nele.
O que é inquestionável é a sua relação com a música. Netuno, planeta da imaginação, da sensibilidade e regente da música, está abrigado na casa da mente abstrata e da filosofia de vida sob o signo de Virgem (também comandado pelo dual Mercúrio). Netuno aparece geminado com a Cabeça do Dragão, um ponto que indica fortemente nossa missão de vida, estando, ambos, retrógrados. Talvez Dylan tenha um desafio kármico de aprender a discernir o que vale seu empenho e a organizar as ideias de forma que sua mente inquieta seja colocada a serviço do mundo de forma prática, não sendo apenas um fluxo constante de sonhos e ilusões na busca de anestesiar a realidade. Sua trajetória indica que ele tem cumprido com esse desafio.
Netuno em Virgem fala muito do seu lado escritor e, ao longo dos anos, ele também se fortaleceu como compositor, ajudando outros artistas a ficarem famosos com suas canções. Porém, acredito que sua relação com a música é mais do que um ofício, é uma forma de conexão espiritual e, possivelmente, uma fonte para compreender o mundo e a si mesmo. Netuno faz uma conexão muito bonita (trígono) com todos os planetas situados em Touro na sua casa cinco, o que indica que a música não só é uma ferramenta de trabalho (Saturno), mas também é uma forma de nutrição emocional (Lua), revolução (Urano) e fonte de sabedoria (Júpiter).
A parceria com Baez foi além da esfera profissional. Teriam se conhecido ainda 1961, tendo feito a primeira performance no palco do Newport Folk Festival em 1963. A relação acabou em 1965 e foi significativa para ambos, ainda que poucos detalhes da dinâmica do casal sejam de conhecimento público. A canção “Diamonds & Rust” de Baez foi descrita pela artista como “um retrato agudo” do romance.
Agora você vem me dizer
Que não se sente nostálgico
Então me dê outra palavra para isso
Você que é tão bom com palavras
E em deixar as coisas no ar
Porque eu preciso de um pouco desta indefinição, agora
Que tudo voltou tão claramente
Sim, eu te amei demais
Palavra, ar, indefinição são ótimas formas de caracterizar a maneira que Dylan se expressa nos relacionamentos, já que não só Vênus está em Gêmeos, mas essa área da vida é regida pelo signo que traz seu regente na cúspide da casa, como um guardião. Isso significa que se sente atraído por mulheres inteligentes, comunicativas e que suas relações precisam ter leveza e muita troca de ideias, o que não deve ter sido muito fácil com a capricorniana Baez.
Pouco depois, em 22 de novembro de 1965, Dylan se casou com Sara Lownds, que havia trabalhado como modelo e secretária. Juntos tiveram quatro filhos: Jesse Byron Dylan (nascido em 1966), Anna Lea (nascida em 1967), Samuel Isaac Abram (nascido em 1968) e Jakob Luke (nascido em 1969). Dylan também adotou a filha de Sara de um casamento anterior, Maria. Sara era três anos mais velha que Dylan, escorpiana, mas com uma Lua conjunta a Urano em Touro, que fazia uma conjunção com a Lua/Saturno de Dylan – uma combinação interessante de cuidado com independência, havendo um forte senso de responsabilidade e apego emocional entre o casal. Não é à toa que tenha sido seu relacionamento mais longo e estável.
Em maio de 1966, Dylan sofreu um acidente de moto e quebrou várias vértebras do pescoço, ficando fora da cena pública por dois anos. Interessante que, na época, Saturno e Marte transitavam de forma oposta entre Aquário e Leão, fazendo um aspecto muito tenso com seu Saturno natal, tornando este o ponto focal de uma quadratura T. Saturno rege os ossos no corpo humano; ao quebrar essas vértebras, é provável que Dylan tenha sido chamado a rever não só suas estruturas físicas e emocionais como, também, convidado a olhar para uma área de seu mapa que é um tanto obscura. Em sua carta natal esse Aquário-Leão aparece interceptado; por não estar abrindo nenhuma casa, é como se essas energias ficassem “aprisionadas” entre os signos vizinhos, com dificuldade de ter vazão e de se expressarem em uma área da vida pessoal. Assim, seus temas se tornam mais difíceis de serem vividos. Como essa dupla nos fala sobre as dualidades entre o coletivo e o pessoal, o intelectual e o artístico, o governante e o revolucionário, é muito provável que esse período de reclusão o tenha levado refletir sobre esses temas na sua vida. Na carta natal, Plutão, que fala sobre nossa capacidade de transformação e empoderamento, bem como do nosso lado mais sombrio e instintivo, está abrigado em Leão, no grau 2, fazendo um aspecto difícil com o Sol natal de Dylan. Assim, ainda que o Plutão não tenha sido atingido pela quadratura T diretamente vinculada ao acidente, lidar com essa interceptação deve ter sido essencial para que ele pudesse se apropriar de forma mais consciente de seu poder pessoal e autoridade enquanto artista.
Quando retomou os palcos em 1968, seus álbuns já apresentavam uma maior influência country e sua participação em shows começou a ser mais seleta. A década de 70 abre com Júpiter, o grande benfeitor, derramando suas bençãos sobre sua carreira e trazendo muitos sucessos profissionais! Alcançou, sucessivamente, o primeiro lugar na Billboard americana com “Planet Waves” em 1974, com “Blood On The Tracks” em 1975 e, em 1976, ficou no topo das paradas por cinco semanas com o álbum “Desire”. Em 1979, ganhou seu primeiro Grammy como melhor vocal masculino pela canção “Gotta Serve Somebody”.
Contudo, viveu desafios com Saturno passando pela casa das crises pessoais. Após seu divórcio com Sara Lownds, uma reviravolta que ninguém esperava, Dylan se converte ao cristianismo e começa a produzir música gospel, sendo um dos pontos menos compreendidos de sua trajetória. Netuno estava fazendo conjunção com seu ascendente, o que pode ter gerado um pouco de confusão mental e espiritual. Em 1983, retorna a sua ancestralidade judaica e lança o álbum “Infidels”, considerado um de seus melhores trabalhos pela crítica e retomou as performances ao vivo. Casou-se, novamente, em 1986 com Carol Dennis, tendo uma filha nascida da união. A união não durou muito tempo e o divórcio ocorreu em outubro de 1992.
No dia 16 de outubro de 1992, vários músicos famosos se reuniram no Madison Square Garden, em New York, para comemorar o aniversário de 30 anos do lançamento do seu primeiro álbum, fazendo, assim, uma homenagem à sua carreira. Eric Clapton, George Harrison,,Neil Young, Carolyn Hester, The Band, Lou Reed, Clancy Brothers, Tracy Chapman e Tom Petty são apenas algumas das estrelas que se reuniram para tentar reproduzir os diferentes estilos musicais e temas de sucesso acumulados por Dylan. Nesse dia, o Sol em trânsito iluminava seu Meio do Céu (ponto de visibilidade social e vocação) e a Lua brilhava em Gêmeos, tornando Dylan ainda mais querido e amado pelo público.
Netuno também rege o cinema e o planeta, tão bem aspectado, parece ter ajudado com que o artista tenha tido um bom espaço nas grandes telas. Entre 1967 e 2019, oito filmes exploram diferentes fases da vida e da música de Dylan, tendo uma multiplicidade de atores assumindo seu papel, como requer essa personalidade geminiana e camaleônica. Entre eles, destacam-se o documentário “No Direction Home” dirigido por Martin Scorsese, que mostra o começo da carreira e a ascensão à fama na década de 1960. Em 2007, o diretor Todd Haynes lança o filme “I’m not there”, em que lendas não confirmadas e passagens da vida do artista são interpretadas por cinco atores e uma atriz (Cate Blanchett).
Como o Meio do Céu está em Libra, consolidando sua vocação como artista, é curioso ver como a época libriana sempre está associada a grandes méritos de Dylan. Além do concerto em sua homenagem já citado, em 13 de outubro de 2016, ele foi escolhido, de forma inédita, para receber o Prêmio Nobel de Literatura, sendo o mérito justificado devido a ele “ter criado novos modos de expressão poética no quadro da tradição da música americana”. Dessa vez, não só o Sol estava despontando no ápice de seu mapa, mas vinha aliado a Júpiter e Mercúrio, tendo uma aliança de Marte e Plutão transitando na casa da personalidade; assim, teve uma conquista poderosa, abrindo um caminho nunca trilhado por outros. Foi a primeira e única vez que um compositor recebeu tal honraria!
É preciso registrar que Dylan é escritor e tem alguns livros publicados: Tarântula (1971) é uma coletânea de poesias; Crônicas: Volume Um (2004), um livro dedicado a suas memórias, vários livros das letras de suas canções foram lançados ao longo dos anos e outros contemplaram pinturas e ilustrações. A última obra foi recentemente publicada (1 de novembro de 2022), The Philosophy of Modern Song, trazendo sessenta e seis ensaios sobre canções de outros artistas.
Marte, o planeta que nos direciona à ação, está Peixes, um posicionamento que é muito escorregadio e nebuloso para o planeta da iniciativa. Pode tornar a pessoa um tanto hesitante e confusa em suas ações, passiva até. Não ajuda em nada que a única conexão que faz seja um contato tenso com o Sol. Marte é tido, por alguns astrólogos, como o guerreiro do Sol, no sentido de que, quando bem posicionado, nos ajuda a lutar por quem somos e a defender nossa identidade. Ainda assim, é preciso lembrar que Peixes é regido por Netuno, que, como já dito, é bem amparado no mapa de Dylan por um coletivo de astros que se expressam tanto na sua vida pessoal como profissional. Possivelmente, isso ajudou a fortalecer Marte e canalizar sua ação para seu sustento através da música.
Até porque não são poucas suas conquistas, ele segue sendo o único indivíduo da história a ganhar de forma paralela Prêmio Nobel, Pulitzer, Oscar, Grammys (não um, mas dez) e o Globo de Ouro. Dylan foi descrito como uma das figuras mais influentes do século 20, musicalmente e culturalmente, sendo citado pelo Times como “mestre poeta, cáustico crítico social e intrépido, espírito orientador da geração da contracultura”. O que desejamos a ele é saúde acima de tudo! Que possamos tê-lo conosco por muitos anos ainda!
