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ELIS REGINA

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ELIS REGINA

Celebrada por muitos como a maior cantora brasileira, Elis Regina deixou um legado difícil de ser superado. Baixinha e briguenta, encarnou muito bem o dito popular “gaúcha de faca na bota”. Ao mesmo tempo, é descrita por seus amigos próximos como uma personalidade empática e sensível. Quando olhamos seu mapa astral natal, vemos que Elis era tudo isso e mais. 

Elis Regina Costa nasceu em 17 de março de 1945 em Porto Alegre, às 14h10.

Desde pequena gostava de cantar. Aos 12 anos, fazia parte de um grupo de crianças que cantava na rádio Farroupilha em troca de chocolates que recebiam do patrocinador do programa. Aos 13. já estava contratada pela Rádio Gaúcha e foi eleita, em um concurso local, como a “Melhor Cantora do Rádio Gaúcho” de 1958.

Seu Ascendente aparece abraçado a Saturno, indicando uma personalidade muito responsável e comprometida, com uma infância permeada pelo trabalho. O  comportamento pioneiro e precoce, de quem tem pressa em viver a vida, é explicado pelo Meio do Céu em Áries – posição astrológica que fala sobre nossa vocação profissional e imagem pública. Assim, apesar de ter Sol em Peixes e o Ascendente em Câncer, Elis se colocou no mundo como mulher guerreira e intensa, que começou a trabalhar cedo e batalhou muito pelo sucesso que conquistou. Mas, também, soube utilizar muito bem a perseverança e maleabilidade da Água, elemento predominante em sua carta natal, mudando de estilo e caminho sempre que encontrava um obstáculo, outra marca de sua trajetória. 

Aos 17 anos, começou a fazer algumas performances em boates ainda na capital gaúcha. Em 1961, viajou ao Rio de Janeiro para gravar seu primeiro disco pela Continental, o qual foi produzido por um famoso radialista da época, Carlos Imperial. Esse disco de rock não vendeu bem. Os outros três álbuns foram gravados nos anos seguintes, cada um com um estilo musical e não tiveram sucesso nas vendas. A mudança de estilo era uma pressão dos produtores, os quais reconheciam a habilidade de Elis como cantora, mas estavam preocupados com as vendas e tentavam emplacar um estilo que agradasse o gosto popular. 

Elis tinha Sol oposto a Júpiter, um aspecto que traz um otimismo quase temerário. A ânsia de ser cantora talvez a fizesse topar qualquer parada, nem sempre conseguindo avaliar, com calma, o quanto aquela proposta fazia sentido a ela. Para dificultar um pouco mais, Marte, o planeta que rege a ação, se encontra isolado em Aquário na Casa VIII. Quando um planeta pessoal, de tanta relevância, não se alia a nenhum outro astro, sua expressão se torna um pouco mais difícil de ser mobilizada. Pode ser que, por um bom tempo, Elis tenha se deixado influenciar demais pelo que os outros diziam, demorando um pouco a conseguir encontrar o seu estilo pessoal. 

Em março de 1964, quando a ditadura se instaurou no país, decide investir seriamente na carreira e se muda para o Rio de Janeiro. Consegue um emprego na TV Rio, fazendo apresentações musicais. Interessante ver que, na época, Plutão, Marte e Urano, em trânsito, passavam pela casa dos recursos pessoais, empoderando Elis para revolucionar sua vida e assumir a sua vocação como cantora de uma forma ousada e inovadora. 

O trabalho foi lhe rendendo bons contatos e, com a possibilidade de shows em bares, foi qualificando a sua presença de palco com a ajuda do coreógrafo Lennie Dale, o qual acabou se transformando em um grande amigo. O primeiro show ocorreu no badalado Bottle’s. Foi um sucesso de público e abriu caminho para uma sequência de performances neste e em outros bares, inclusive em São Paulo, para onde ela se mudou em 1965. A fama estourou, mesmo, quando venceu o I Festival de Música Popular Brasileira, veiculado pela TV Excelsior, com sua performance da música “Arrastão”. 

Quando olhamos os trânsitos desse momento, percebemos que Sol e Vênus coroavam o Meio Céu de Elis, trazendo um brilho e elevação artística que tornavam sua performance mais agradável ao público, facilitando a aprovação social. Também havia um aspecto positivo de Saturno, transitando em Peixes, com a Lua Natal dela, o que ajudou na consolidação da carreira como cantora e no fortalecimento da imagem pública como artista.  O fato de a Lua e a Vênus natais estarem localizadas na casa do trabalho e da imagem pública são indícios de popularidade; podemos dizer que sua fama estava escrita nas estrelas, mas que aguardava o momento certo para brilhar. 

Em um momento em que a Bossa Novas estava em alta, oferecendo shows suaves e delicados, Elis se apresentou com uma intensidade que surpreendeu o público e, para alguns críticos, inaugurou uma nova  forma de MPB. É a força de Plutão em Leão na Casa I: a potência e autoridade artística com que Elis se apresentava vinham de uma força primordial interna que explodia no palco. Sua grande marca, como cantora, era o domínio técnico e a afinação, o que demonstrava uma capacidade em utilizar a voz como um instrumento como poucas cantoras faziam. A destreza técnica era temperada com uma incrível capacidade de se emocionar: não foram poucas as ocasiões em que Elis chorou cantando ou expressou indignação na intensidade da voz. Possivelmente, seu excesso de Água se derramava à medida que a música tocava a ela própria, transbordando ao público seus sentimentos frente à canção. Por isso, ficou reconhecida não só pelo que cantava e, sim, como uma grande intérprete. 

Com a atuação no programa de TV “O Fino da Bossa”, junto com Jair Rodrigues, finalmente começa a ter sucesso na venda de álbuns. O LP “Dois na Bossa” foi o primeiro disco brasileiro a vender um milhão de cópias. Elis é convidada a participar de um show em Cannes, em janeiro de 1968, iniciando, assim, a carreira internacional e lançado dois discos no exterior. Nos trânsitos, Júpiter estava na casa das finanças e Saturno despontava na casa das viagens, duas forças poderosas indicando a consolidação da carreira em outros países com um bom retorno financeiro. 

No Brasil, foi cada vez mais se qualificando como cantora e lançando uma quantidade incrível de músicas e discos. O álbum lançado com Tom Jobim, em 1974, é, até hoje, considerado um dos melhores da história da MPB. Não é para menos: Sol, Mercúrio e Vênus percorriam a casa das parcerias de Elis, trazendo criatividade, harmonia e destreza para essa parceria. O álbum abre com a famosa “Águas de Março”, uma canção suave que traduz, de forma inigualável, a sensação positiva da força dos três astros em união, uma música ritmada, agradável e fluida.    

Vinícius de Morais lhe deu o apelido de “Pimentinha”. Sem medo de dizer o que pensava, um comportamento típico de quem tem Mercúrio, o planeta da comunicação, em Áries, a língua rápida e afiada fala antes de pensar, o que leva, muitas vezes, a pessoa a se envolver em problemas. O aspecto acaba sendo intensificado pela presença de Júpiter retrógrado em Virgem na casa da expressão pessoal. Aqui, há uma mistura de crítica excessiva somada à dificuldade de medir a maneira como se expressa. Esses elementos trouxeram alguns desafios à cantora. 

Elis, recorrentemente, criticava a repressão à cultura que era promovida pelos militares no poder, chegando a chamá-los de gorilas em uma entrevista. Mais de uma vez, teve suas músicas censuradas e foi convocada a dar explicações por suas falas em 1971. Pressionada pelos militares, aceitou cantar o Hino Nacional durante as Olimpíadas do Exército Brasileiro em 1972, lhe rendendo desafetos com colegas e militantes de esquerda. Foi rechaçada no jornal “O Pasquim” pelo cartunista Henfil, entrando em um período delicado da carreira e com o público. Passou a ser vaiada nos shows. Plutão e Saturno se posicionaram de forma tensa e retrógrada no seu mapa natal, sinalizando um período de restrição e de controle sobre sua atuação, bem como conflitos e desafios na carreira. Com o tempo, ela retomou sua atuação politicamente e conseguiu reverter o mal estar criado, sendo a interpretação da música “O Bêbado e a Equilibrista” , até hoje, um símbolo do movimento em prol da Anistia. 

Igualmente, ficou conhecida por dar voz a compositores até então desconhecidos e que se tornaram grandes sucessos. Entre eles estavam Milton Nascimento, Renato Teixeira e Belchior. Elis tinha Urano em Gêmeos na casa dos coletivos e amigos, indicando uma capacidade de atuar de forma inovadora nos grupos, reconhecendo talentos e estabelecendo redes. Marte em Aquário traz um aspecto de liderança e uma tendência em agir em prol do bem social. Um fato pouco mencionado é que Elis foi presidente da Assim, Associação de Intérpretes e de Músicos, tendo batalhado arduamente pelos direitos trabalhistas e autorais dos músicos no Brasil.

Na vida pessoal, teve dois grandes amores. Ronaldo Bôscoli, que já conhecia das boates cariocas, foi seu produtor no programa “O Fino da Bossa”. Casaram-se em 1967 e  tiveram um filho, João Marcelo Bôscoli. Os relacionamentos de Elis eram pautados por dois planetas femininos em Touro, Lua e Vênus, ambos na Casa X, o que indica uma propensão a se relacionar afetivamente com pessoas do seu meio profissional. Essas posições são reforçadas pela casa das parcerias também ser orientada pelo elemento Terra, com o signo de Capricórnio e o regente deste signo, Saturno, estar em Câncer.

Sedutora e altamente afetiva, ela buscava uma dinâmica mais conservadora nos relacionamentos. A família era seguramente uma de suas grandes prioridades na vida, mas, apesar de ser altamente sentimental, esses aspectos terrenos trazem uma postura muito pragmática que pode se expressar como dificuldade de expressar seus sentimentos e necessidade de afeto. Saturno na Casa XII pode indicar o medo da solidão e de não conseguir se vincular de forma efetiva com aqueles que ama. Se considerarmos que Plutão em Leão estava na casa da personalidade, soma-se um comportamento passional e intenso, com boas doses de possessividade. A vida a dois era um desejo e uma necessidade até, mas o temperamento forte e intempestivo se tornara um entrave para as relações.

Provavelmente, ela tinha uma expectativa de fidelidade, segurança e estabilidade com seus parceiros, algo muito difícil com um escorpiano boêmio e galanteador como Bôscoli. As brigas intensas do casal eram comumente estampadas na imprensa, levando ao fim do casamento em 1972. Em 1973, inicia um romance com um de seus músicos, o pianista César Camargo Mariano, com quem teve dois filhos – Pedro Camargo Mariano e Maria Rita. Com César, viveu uma relação mais tranquila e duradoura, se dedicando bastante à criação dos três filhos. Por um bom tempo, viveram no interior, realizando o sonho bucólico de “ter uma casa no campo”, um desejo muito típico de uma Lua taurina. Como mãe, Elis devia ser muito apegada e carinhosa também, ainda que um tanto pragmática. 

A relação termina em 1981, levando Elis a uma grande depressão. Há indícios de que, na época, estava passando um momento conturbado e de que o abuso do álcool e de outras drogas tenha influenciado na própria separação. A tendência ao escapismo é um dos lados negativos de Peixes que, quando sofre, busca, literalmente, se anestesiar da dura realidade. O fato do Sol de Elis estar conectado de forma conflituosa com Netuno, dispositor do seu signo solar, fortalece esse aspecto, trazendo, ainda, um pensamento um tanto fantasioso, propenso a ilusões. O posicionamento da Lua também influencia aqui, pois, como signo fixo, Touro é muito avesso a mudanças. Certamente, o fim do segundo casamento e a mudança na rotina com os filhos foi muito difícil para ela. O lado kamikaze de Plutão na Casa I se alia à necessidade fuga de Netuno em Libra na Casa III, criando uma dinâmica emocional bem difícil de ser domada. 

Elis morreu no dia 19 de janeiro de 1982, com apenas 36 anos, em São Paulo, devido a uma overdose. Plutão, que rege os processos de morte e renascimento, entrava justamente na Casa IV, que, entre outras coisas, fala de como encerramos nossa vida. Deixou uma discografia quase incontável e um legado musical incalculável.

Desde 2005, a Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre/RS, abriga o Acervo Elis Regina, um espaço aberto à visitação em que um conjunto de fotografias, artigos, discos e outros objetos mantém viva a memória da cantora.

Outra sugestão é assistir ao filme Elis, adaptado e dirigido por Hugo Prata, que estreou nos cinemas em 24 de novembro de 2016. Algo muito interessante na Astrologia é que, mesmo após o falecimento de uma pessoa, o movimento dos planetas segue ativando elementos do seu mapa natal. No lançamento de seu filme biográfico, Lua e Júpiter circundam Netuno natal e Urano passava pelo Meio do Céu. Um convite para que nós, enquanto público, possamos olhar, de forma renovada e generosa, para essa estrela que segue brilhando onde estiver.

Texto de Potira Preiss, aprendiz Casa V. (@potipreiss)

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